Assinatura RSS

Get Me Away From Here I’m Dying

tumblr_no8iueZxX21tfgs2lo1_1280

Jamais me senti tão estúpida, tão acuada, tão fora de mim. Sou a descrição de agonia.
Sofro com paixão por quase tudo mas esse ardor é diferente, aperta o peito sem me ferir. Esse é o problema. Se a dor fosse mais forte talvez eu tivesse forças pra emergir. Eu gosto desse sentimento pacifico de agonia. Sofrer assim está sendo a minha maior distração.

Estou programada a me inclinar sobre esse Precipício sempre que algo da errado. Dessa vez há uma voz com um sopro forte me arrebatando de volta ao mundo. Aquele fim era meu amigo. Todas as desilusões que passei foram ao seu lado. Ele conhece por nome todos os demônios que me formam. Passamos tanto tempo vislumbrando um ao outro que agora acredito ser ele o único que me ama verdadeiramente.

O Precipício faz parte de mim já. O engoli de uma maneira tão egoísta e voraz que bastava apenas uma lágrima para nos encontramos. Os remédios têm me tirado meu amigo. Mal posso chorar como antes. Se precipitam algumas gotas tímidas no meu olhar mas isso não é nem de longe o suficiente para lavar minha alma. Até então não haveria problema mas agora que preciso me banhar do desespero para tentar renascer não posso, não consigo. Preciso desse caos para arrumar meu coração.

Estou apaixonada por essa dor, não posso deixa-la partir. Temo pelo que será de mim sem o único sentimento que posso compreender.

fragilidade,

eu

Quando eu era adolescente escrever era a única maneira por onde eu conseguia exportar meus sentimentos. Sempre fui muito apática. Não que eu não sentisse amor, remorso ou piedade, eu senti muito, mas aprendi a esconde-lo porque aos poucos eu via as pessoas se aproveitando dos meus sentimentos pra me diminuir.
Se eu chorava era porque eu não conseguia aguentar a realidade.
Se eu gritava era porque eu não conseguia ter uma conversa civilizada sem me alterar.
Tudo o que podia externar das minhas emoções era motivo pra me pegarem pelo braço e me julgares por ser mulher. Não exatamente por SER mulher, mas por me portar como uma. Por permitir que outros pudessem ver a minha fragilidade. Essa fragilidade tinha que ser escondida porque era motivo de vergonha.

– Menina é assim mesmo, chora por tudo
– Tá vendo seu primo? ele não tá chorando
– Isso não é nada, fulano tem uma vida pior e não é assim!
– Engole o choro!

A consequência disso é o que sou hoje. Ainda não aprendi a confiar nas pessoas e tenho crise de ansiedade só de pensar em ter uma conversa onde eu me dispa dos meus temores e fale francamente. Eu não sei ser assim, eu não fui ensinada a ser assim e até hoje eu tenho medo de fazer qualquer esforço pra melhorar. O meu esforço requer que eu confie e eu não posso. Não quando eu vejo que essa pratica de repreender mulheres por seus sentimentos ainda é recorrente.

Essa fragilidade ainda me define e essa dor que eu tanto dissipo é o que me resta, é o que sou.

“I took the stars from my eyes and then I made a map
And knew that somehow I could find my way back
Then I heard your heart beating You were in the darkness too
So I stayed in the darkness with you”

Esse texto é sobre a dor.

Todas as linhas da minha vida foram ditadas por ela, essa insatisfeita. Não consigo pensar em um passo que dei sem ter que me apoiar nos seus calcanhares, sem caminhar com ela.

Andamos juntas desde que consegui vislumbrar a minha primeira consciência de existência humana.

Talvez, de alguma forma, fomos predestinadas a permanecer juntas pra sempre. Eu, mesmo não acreditando em destino, me deparo com essa possibilidade e me acalmo. Aceitar isso me livra da culpa, livra todos vocês.

Nenhuma das minhas faces gosta dela. Mas já nos acostumamos com esse pulsar incessante. Tivemos que descobrir como viver em sua companhia. E ela, bom, ela nunca se importou conosco. Eu não diria que nos a odiamos, não é bem assim. A realidade é que, na maior parte do tempo, ela é nossa única amiga. O se golpe agora é doce e soa até agradável.
Ela é a única que nos lembra humanidade. Só com ela que nos sentimos vivos.

Com esse badalar de relógio frenético em nossas nucas e essas gotas de vida que escorrem
A dor, ela sim é a nossa voz. É a nossa inspiração, é o nosso passado, o nosso futuro. É o que somos, o que sempre seremos. É a beleza da presença. É a companhia infinita.

Como não amar a única coisa que jamais nos abandonou?

Still Ill – The Smith

I decree today that life
Is simply taking and not givin

How Soon Is Now?

Quanto tempo é necessário para que eu aprenda a não ser tão negligente comigo e com os outros?

Não sei mais se é esse algoz quem me parte ou se sou eu que me desmonto pelo prazer de tremer as minhas próprias bases. Pode ser uma daquelas dores que você almeja sentir. Esse é o reflexo de todo esse elaborado trabalho interior: É essa vida que não satisfaz e não desmonta nunca.

Esse ardor sem destino para onde eu carrego insistentemente meus pertences, os poucos que possuo, é longo, é um caminho que já não lembro por onde começa. Nem ao menos sei porque estou fazendo essa viagem. E agora, depois de todas essas curvas, eu me sinto possuída por eles, por esses demônios, por esses pertences, por essas pessoas, por essas dores. Todos esses me moldaram e formaram o que sou, o que sempre fui.

São eles que me reconhecem, são eles que eu vejo no espelho. Já me são tão familiares que não vejo motivo nenhum para debates.

Essas coisas sou eu, cada pedaço de mim foi feito de todas as coisas que eu desprezo e abomino.

Citação: How Soon is Now? –  The Smith

When you say it’s gonna happen “now”
Well, when exactly do you mean ?
See, i’ve already waited too long
And all my hope is gone

I’ve come to wish you an unhappy birthday

Então parabéns por esse dia que só você recorda,
por esse remorso que só você sente dessa primavera batendo novamente a tua porta,
por essa repulsa pelo tempo, parabéns.

Parabéns porque eu sei o quanto foi difícil chegar até aqui. Tantas lagrimas e decepções acumuladas ao longo dessa estrada fizeram teus tijolos amarelos desbotarem. Até mesmo aquele olhar displicente e atormentado que te definia fugiu. Todos te abandonaram menos as lembranças e os arrependimentos.
Como você lamenta.
Se já não é mais o olhar de criança com medo do mundo agora é a dor que acompanhar as suas desculpas, isso sim te define, amiga, essas desculpas e as consequências delas.

Não sei como consegues dormir a noite com esses demônios no teu quarto te observando e sugando lentamente cada resto de esperança que tem em ti.
Como você sobreviveu até hoje?
Quantos abraços e contratos foi preciso assinar com eles pra viver esse vulto que hoje é você?

Tenho imaginar como seria. Não consigo.
Esse desconforto na garganta um dia vai subir e te engolir verazmente, quando você menos esperar. E eu, eu só poso desejar que quando essa hora chegar seja indolor.

Então parabéns.

Parabéns por ter conseguido mais uma migalha do monstro que te atormenta.

“I’ve come to wish you an unhappy birthday
I’ve come to wish you an unhappy birthday
‘Cause you’re evil
And you lie
And if you should die
I may feel slightly sad
(But I won’t cry)”

Citação: Unhappy Birthday – The Smiths

House Fire

Se tivesse um barco que pudesse me levar pra além desse rio eu o tomaria.

Navegaria até que a dor, minha fiel companheira de anos, cansasse de pousar no meu ombro. Para que um dia eu conseguisse acordar sem ser atormentada pelos meus erros. Para que eles não me assombrassem mais.

Se esse rio fosse fundo eu jogaria meu corpo cansado nos seus braços. O deixaria inundar os meus pulmões e pertenceria pra sempre entre suas aguas. Me tornaria ele ou o tomaria pra mim. Isso não é um desejo de eternidade, é uma busca por paz. Um canto solitário nessa vida cheia de tumulto. Um caminho sem volta pro interior e quem sabe, enfim, a morte.

A agonia nunca some. Ela se esconde nas curvas escuras de mim pra um dia, do nada, somar com o desespero silencioso do meu coração. Atacado-me e devorando-me novamente.

Infinitamente.

“We did what we could to save this house from falling
But it burns because it’s wood and now you’ll never call me darling”

Citação: House Fire – Someone Still Loves You Boris Yeltsin

Caçadores de sorrisos

Eu sempre quis um coração maior onde coubesse o mundo e fosse quente o suficiente para esquentar a todos. Eu sempre desejei ser maior, ter aquela altura que faz sombra sem intimidar. Poder abri os braços e acolher a todos os forasteiros que estejam perdidos ou carentes no mundo. Eu sempre sonhei em ser uma daquelas pessoas afortunadas que deixam marcas, fazem a areia afundar quando passam não por peso e sim por lembranças. Queria deixar lembranças até nos grão de areia por onde andei.

Bom, eu sou de áries. Isso não é uma desculpa ou uma caricatura. Nos, pessoas de áries temos a crença incrédula. Somos sempre maiores que nos mesmo. E além do mais, nem acreditamos em signos. Somos aquele tipo raro que se conforma com a inconformidade. Já faz um bom tempo que sou assim.

Nós somos aqueles na beira de estrada à espera do caminho. Somos aqueles olhares cansados para o horizonte. Somos os que perderam o barco. Faço as coisas de cabeça quente e me queixo de mim mesma depois.

Nos, pessoas de áries, somos erva daninha, jamais beija flor. Catar as pequenas coisas antes boas já não é possível quando a duvida da reciprocidade nos assombra a janela. Não foram bem os contratempo que nos fizeram assim, caçadores de sorrisos, foram as magoas. As reviravoltas da vida somente nos ajudaram a guardar cada vez mais fundo. E sim, nos culpamos vocês, os traiçoeiros carrascos do ser. Suas almas derrotadas, podres mortais.

Não existe cura pra infelicidade. Não existe estrada de tijolos amarelos que responda as suas perguntas e te traga um doce pra elegera-te o gosto amargo da boca. A vida se faz, imponente, diante do teus olho. Você, uma hora ou outra precisa viver nela.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 213 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: