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I’ve come to wish you an unhappy birthday

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Então parabéns por esse dia que só você recorda, por esse remorso que só você sente dessa primavera batendo novamente a tua porta, por essa repulsa pelo tempo, parabéns. 

Parabéns porque eu sei o quanto foi difícil chegar até aqui. Tantas lagrimas e decepções acumuladas ao longo dessa estrada fizeram teus tijolos amarelos desbotarem. Até mesmo aquele olhar displicente e atormentado que te definia fugiu. Todos te abandonaram menos as lembranças e os arrependimentos. Como você lamenta. Se já não é mais o olhar de criança com medo do mundo agora é a dor que acompanhar as suas desculpas, isso sim te define, amiga. Essas desculpas e as conseguências delas.

Não sei como consegues dormir a noite com esses demônios no teu quarto, te observando e sugando lentamente cada resto de esperança que tem em ti. Como você sobreviveu até hoje? Quantos abraços e contratos foi preciso assiram com eles pra viver esse vulto que hoje é você?

Tenho imaginar como seria. Não consigo. Esse desconforto na garganta um dia vai subir e te engolir verazmente, quando você menos esperar. E eu, eu só pode desejar que quando essa hora chegar seja indolor.

Então parabéns.

Parabéns por ter conseguido mais uma migalha do demônio que te atormenta.

(Esse texto deveria ter sido publicado dia 26/03, sorry pelo atraso)

 

“I’ve come to wish you an unhappy birthday
I’ve come to wish you an unhappy birthday
‘Cause you’re evil
And you lie
And if you should die
I may feel slightly sad
(But I won’t cry)”

Citação: Unhappy Birthday – The Smiths

House Fire

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Se tivesse um barco que pudesse me levar pra além desse rio eu o tomaria. 

Navegaria até que a dor, minha fiel companheira de anos, cansasse de pousar no meu ombro. Para que um dia eu conseguisse acordar sem ser atormentada pelos meus erros. Para que eles não me assombrassem mais.

Se esse rio fosse fundo eu jogaria meu corpo cansado nos seus braços. O deixaria inundar os meus pulmões e pertenceria pra sempre entre suas aguas. Me tornaria ele ou o tomaria pra mim. Isso não é um desejo de eternidade, é uma busca por paz. Um canto solitário nessa vida cheia de tumulto. Um caminho sem volta pro interior e quem sabe, enfim, a morte.

A agonia nunca some. Ela se esconde nas curvas escuras de mim pra um dia, do nada, somar com o desespero silencioso do meu coração. Atacado-me e devorando-me novamente.

Infinitamente.

“We did what we could to save this house from falling
But it burns because it’s wood and now you’ll never call me darling”

Citação: House Fire – Someone Still Loves You Boris Yeltsin

Caçadores de sorrisos

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Eu sempre quis um coração maior. Onde coubesse o mundo e fosse quente o suficiente para esquentar a todos. Eu sempre desejei ser maior, ter aquela altura que faz sombra sem intimidar. Poder abri os braços e acolher a todos os forasteiros que estejam perdidos ou carentes no mundo. Eu sempre sonhei em ser uma daquelas pessoas afortunadas que deixam marcas, fazem a areia afundar quando passam não por peso e sim por lembranças. Queria deixar lembranças até nos grão de areia por onde andei.

Bom, eu sou de áries. Isso não é uma desculpa ou uma característica. Nos, pessoas de áries temos a crença incrédula. Somos sempre maiores que nos mesmo. E além do mais, nem acreditamos em signos. Somos aquele tipo raro que se conforma com a inconformidade. Já faz um bom tempo que sou assim. 

Nós, pessoas de áries somos aqueles na beira de estrada à espera do caminho. Somos aqueles olhares cansados para o horizonte. Somos os que perderam o barco. Faço as coisas de cabeça quente e me queixo de mim mesma depois. Nos, pessoas de áries, somos erva daninha, jamais beija flor. Catar as pequenas coisas antes boas já não é possível quando a duvida da reciprocidade nos assombra a janela, impede o sol de uma doce manhã. Não foram bem os contratempo que nos fizeram assim, caçadores de sorrisos, foram as magoas. As reviravoltas da vida somente nos ajudaram a guardar cada vez mais fundo. E sim, nos culpamos vocês. Os traiçoeiros carrascos do ser. Suas almas derrotadas, podres mortais.

Não existe cura pra infelicidade. Não existe estrada de tijolos amarelos que responda as suas perguntas e te traga um doce pra elegera-te o gosto amargo da boca. A vida se faz, imponente, diante do teus olho. Você, uma hora ou outra precisa viver nela. E nos, pessoas de áries, talvez um em algum dia consigamos. 

Sobre as últimas tempestades

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“É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na platéia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.
Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.”

 
Esse texto da Ana Jacomo resume basicamente a minha vida agora. Eu desisti de mim. Não como venho sempre falado aqui, não como meu companheiro casaco de todas as hora. Eu desisti mesmo. Achei que não existia mais saída do desespero que plantei na minha mente, da confusão que encontrava o meu ser. Então desisti, como se fosse fácil, com algumas doses. Achei que cortaria toda a raiva e amargura simplesmente indo embora. Não foi bem assim. Digamos que o tiro saiu pela culatra. Digamos apenas que eu não fui. E hoje, agora mesmo, sentada aqui nessa cama confortável do meu apartamento, vendo o sol bater tão lindo na minha janela enquanto o melhor namorado do mundo inventa alguma comida gostosa na cozinha, agora eu agradeço muito por isso.

Nunca implantei em ninguém a obrigação de carregar minha dores, mas tem gente que fez. E o que me magoava muito é que isso nunca, em nenhum segundo, foi por mim. Era pro estatos do facebook, era pra conversas de como eu me comportava ou como gastava meu dinheiro, quão mal eu me portava.

É engraçado a conotação que as palavras pegam depois que só se conta um lado da história. Bom, na hora eu não achei graça. Imaginei o que provavelmente vocês estão imaginando agora: Porque?. E nas semanas seguintes a resposta me veio, não sei se é a verdade porque essa página eu, com a ajuda de muita gente que ainda gosta de mim, passei.

Tem gente que simplesmente é assim. Que ama até a conta do cartão de crédito chegar, que se preocupa só na sorveteria enquanto ganha um sorvete gostoso, que pergunta como anda a vida quando a companhia é boa, quando é lucrativa.

Amigos de verdade não se importam com isso, eles te dão uma bronca quando acham que você se comporta mal, eles não se escondem vergonhosamente atras da tela do computador e falam mal de você pra uma cidade inteira. Amigos de verdade se importam.

Ana tem toda razão: Amar, por si só já é difícil. Parece que a palavra vem carregada de obrigação e não é assim. Tem que ser prazeroso, se for não, Infelizmente não é mais amor. Percebi, aprendi e cresci com isso. Valorizo bem mais a companhia de quem quer minha companhia e não só das pessoas que se aproveitam do que eu tenho pra dar.

 

 

(I Want To) Come Home

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 Tô avaliando as discrepância dessa vida. Me peguei aqui, nesse mesmo parágrafo por diversas vezes. Analisei todos os centímetros de ressentimento e de carinho. Caminhei com as incertezas até minha mente clarear e se tornar nuvem, chuva sob minha cabeça. Não há justificativa para o que aconteceu e de certo não haverá qualquer prevenção contra esse eventos ao longo de vida. Mas me fiz de novo. Nisso eu sou boa. E dessa vez projetei alguns caminho diferente.

Cheguei aqui sem nada. Nem amigos nem carinho. E fiz. Magoei-me, magoei. É certo. Me peguei aqui, nesse mesmo parágrafo por diversas vezes. Não medirei o tamanho do meu amargor e como meu coração despedaçou-se sem meu consentimento nessa ultima semana. Sinto como se já não pudesse falar sobre ele, sobre esse coração. Paul Mccarteney fez isso e expressou em música o que passa pelo meu corpo todo nesse exato momento

“For so long I was out in the cold, but I taught myself to believe every story I told.
It was fun hanging over the moon heading into the sun,but it’s been too long.
Now I wanna come home.Yeah, it’s been too long, now I want to come home”
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Não dá pra substituir. As vezes o melhor caminho é simplesmente deixar ir quem for. Se já não tem forçar ou coragem pra ficar. Não me contorce os cantos da boca a procura de alivio aos corações castigados pela falta de amor. Mal posso com minha própria angustia. Não farei esforço para retomar o que antes agradava. Se já não tens força pra ficar, então que vá, amiga. E que o mundo te faça mais feliz.

Dream a little dream of me

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Esses dia me carregam. Suas pesadas mãos seguram meu dorso e me quebram como se eu fosse feita de barro, uma lama qualquer de tempos antigos.
Vai-se. Esvai-se. Passa por mim rapidamente e quando me dou conta já estou aqui, pega pelo dorso e contorcendo-me para não me deixar ir.
A vontade que eu tenho de voltar e inversamente proposital a situação. Eu vejo quanto o tempo vivido e a tristeza cobrindo essas paredes antes amigas. Eu posso ouvir as noites angustiantes e uma certa morbidez me abate. Abate-me como se fosse apenas mais um no rebanho. Banha-me de indecisão e me deixa aqui, entre essas paredes destruidoras de mim.
Eu me sento nesse mundo e espero a decisão ser tomada. Sonhado que seja o melhor pra mim. Refiz todos os meus planos e agora eles se refazem sozinho diante dos meus olhos.
Pela primeira vez desde criança eu não sei o que fazer. Pouco sei como me portar e não faço idéia se consigo sobreviver a essa situação. Fico repetindo a meus ouvido e esperando que meu coração se convença das mentiras. Mas é em vão.
Em vão.

“Say nighty-night and kiss me. Just hold me tight and tell me you’ll miss me.
While I’m alone, blue as can be. Dream a little dream of me”

Citação: The Mamas and the Papas – Dream a little dream of me

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