Tento ser legal, mas não tenho vocação pra Minnie

Não me vejo mais em nenhum canto daquela velha cidade. Não encontro minha sombra nos becos mal iluminados de lá. Meu coração pertence a outro, ao mundo. Já não posso me redimir de meu passado naquele sol. Minha pele corroi a própria desculpa naquela água.
E se decido que assim será é por pura e completa convenção de minha sanidade. Sou outra. Sou feita de outra areia agora e não existe mais espaço para mim naquele pedaço de terra quente.
Vou ficar, diga à eles que sinto muito, mas decido por mim agora. Diga-lhes que sinto saudade e que tremo ao pensar em perde-los um dia. Diga-lhes que estou aqui, para qualquer abraço sem braço, para beijos sem lábios. Diga-lhes que meu coração estará disponível para amigos de verdade. E nesses anos longe de casa foram poucos os que me restaram. Diga-lhes que os amo muito, mas não posso voltar.

Citação: Homesick – Kings of Convenience
“A song for someone who needs somewhere to long for”

RAWЯ!

Eu fico pensando se tanto faz. Se todas as vezes que você me rogou paciência funcionaram e onde tudo isso me levou. Agora pareço está exatamente onde você me deixou da ultima vez: esperando.

Amigos são como laços, diziam, sufocam ou adornam, depende muito de quem os faz. Já não entendo essa relação que temos. Se somos amigos, se somos irmãos. Na verdade durante todo o tempo juntos fomos bem mais que isso. A definição é pouco, é pequena, é insuficiente, é o laço apertado da nossa relação.

Sonho com você quase todo dia. Segura a minha mão e me canta aquela música dizendo sempre que Elvis Costelo escreveu ela só pra mim. Eu acordo atônita pensando em como o tempo é cruel conosco, amigo. Me sinto injustiçada e com saudade. A saudade que não passa com conversa por skype, nem por telefonemas constante. Quero segurar tua mão, olhar nos teus olhos e acalmar essa atônica vontade de você.

“É o mundo que anda hostil, o mundo todo é hostil”

Imagem

 

Chove. Respinga essas gotas impiedosas em minha pele seca. Transborda dentro de mim. Se me fazes melhor, melhor então eu sou. Já não cabe a mim contar os espaços contínuos da tua falta. Eu quero esperar e ver onde podemos chegar com tudo isso. Preciso de certas inconsistências para seguir cantando.

Essa vida já foi melhor, naquele tempo em que não tínhamos nenhuma preocupação. Agora a aurora insiste em transmitir todas as suas lamurias e forma de raios. Ficamos tristes, você e eu. Nos tornamos não mais parte de um todo. Tornamos-nos o que somos agora. Insensivelmente ingratos conosco e com o tempo. Retornar nunca me foi uma opção, caminhei milhas a milhas pra chegar aqui. Percorri noites escuras e desbravei quase sozinha partes de mim até então desconhecidas. Só desisti daquela doçura.

Durante todo esse tempo de desencontros. Com toda essa angustia no coração eu me deixei. Deixei de me importar comigo mesma. Passivamente, de uma maneira sutil. Desisti de muitas coisas ao longo da vida. Agora eu me esforço pra não desistir de tudo.

Eu estive em todos os lugares. Nos cantos amigos, nos becos estranhos. Mas hoje eu estou presente somente nos lugares que abandonei.

Citação: De onde vem a calma – Los Hermanos

 

Nunca aprendi a fazer isso. Já li diversos artigos, poemas, livros inteiro mas a resposta e o modo de operação me são completamente desconhecidos. Muita gente passou por aqui. Pessoas queridas, outras não. Agora meu coração anda empoeirado, só com um restinho de vocês. Eu guardo pouco parte. Tento ser sincera comigo mesma e pra falar a verdade não foram tantas pessoas assim. Eu fui condicionada a me reter.

Agora eu tenho listas, faço colocações e classifico cada oportunidade de interação. Vocês são poucos, mas sobra mais espaço dentro de mim para mim mesma. E disso eu tenho certeza: Eu tenho muito de mim. Talvez seja essa a justificativa para falta de manuseio com a desculpa.

Já não consigo te olhar nos olhos e dizer sem engasgar que não me fazes mal. Não é verdade. Lembro-me de absolutamente tudo e possuo nada dessa benevolência e autismo que tu diz ter. Sou dada a muitas lagrimas e pouca paciência. Me desmancho constantemente e tenho que me reconstruir sozinha. Sou feita de mim mesma. Em cada centímetro dessa mente confusa. Feita de raiva, de carinho, de lagrimas e, apesar do que dizem por ai, muito amor. Mas pra vocês não sobrou mais nada.

Eu estive pensando em você. Pensando nas vezes em que fui absurdamente insuportável e na paciência infinita que você costumava ter. Faz tempo. Onde você está mesmo? Do outro lado do oceano? Parece ontem, aquele dia em que nos duas rolamos de rir e derretemos todo o sorvete na mão por simplesmente esquecer de parar de rir. Nos sentíamos tão bem. Eu sei, amiga. Assumo toda a culpa. Faz tempo, mas eu lembro. A culpa é minha se não nos vemos mais, se não fui na sua despedida e se simplesmente apaguei o seu telefone da minha lista. E hoje, justo hoje bateu aquela saudade imensa de você de ouvir por horas sobre os seus infinitos problemas amorosos e depois dizer que não consigo te dar nenhum conselho decente. Era sempre assim, você quem sempre arrumava as soluções, eu ouvia pacientemente e esperava até sua mente clarear. E consequentemente clarear a minha também.
Me aproveitei da sua amizade por que me fazia bem. Somos criaturas diferentes, amigas. Você é borboleta e eu era a erva daninha. O tempo passou cruelmente e não posso mais te ligar de madrugada perguntando se eu sou mesmo uma pessoa tal mau como eles dizem. Espero que tudo dê certo. Costumam dizer que a vida é curta mas eu espero pacientemente que você volte só pra dizer, olhando nos seus olhos, o quanto eu sinto muito. Desculpe-me por esses 4 anos de pertinência irritante.

“It was dark as I drove the point home
And on cold leather seats
Well, it suddenly struck me
I just might die
With a smile on my face after all”

Citação: That joke isn’t funny anymore – The Smith

Esse texto é sobre você. E sobre o seu jeito atrapalhado e como você consegue se desequilibrar estando com os dois pés parados. É sobre aquela força incontrolável que te leva a cantarolar os trechos mais irritantes das musicas. É sobre o seu olhar quando parece me decifrar dos pés a cabeça. Esse texto é para você, amor. Para, qualquer um desses dias, quando eu parecer distante ou irritada você puder lembrar que não faço por mal, sou assim por natureza.

Dissemos tanta coisa e mesmo sabemos que a maioria delas foi dita de coração ainda sentimos medo. Eu quero bem que você saiba dos caminhos, que encontre as fechaduras certas e quando sair deixe a porta aberta. Eu quero que você decore o caminho e venha sempre.

É nesse seu jeito a toa, na sua risada escandalosa, nessa distração.. É nesses lugares só seu que eu esconde meu amor. Nesses cantos onde só você pode achar. Funciona muito bem como o poeta disse: “Para ser feliz com uma outra pessoa você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela”. Tô me abstendo, não preciso de você. Acontece que todos os segundos dessa minha vida atônita são melhores  segurando sua mão. Aceitemos esse fato: Temos um ao outro. Para o bem ou não.

“If you conjure up a fear
Make it loud so I can hear the tambourine
I just want to let you know
I could be your suicide policeman”

Citação:  Yuck – Suicide policeman

Smile

Smile, though your heart is aching
Smile, even though it’s breaking
When there are clouds in the sky
You’ll get by…

If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You’ll find that life is still worthwhile if you’ll just…
Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That’s the time you must keep on trying
Smile, what’s the use of crying?
You’ll find that life is still worthwhile
If you’ll just…

If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You’ll find that life is still worthwhile
If you’ll just Smile…

That’s the time you must keep on trying
Smile, what’s the use of crying
You’ll find that life is still worthwhile
If you’ll just Smile.

- Charles Chaplin

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